Indivíduo, departamento ou empresa: a porta de entrada certa depende do momento da sua empresa, e o erro mais comum é entrar por uma sem coordenar as outras duas.
A adoção de IA se generalizou. Difícil encontrar uma empresa que não tenha comprado licenças, rodado um piloto ou anunciado uma iniciativa com IA generativa. O resultado, por sua vez, ainda chega de forma desigual: em uma pesquisa recente da Wharton com a Harvard Business Review, 45% dos executivos reportam retorno significativamente positivo com IA, enquanto entre os gerentes médios, onde o trabalho de fato acontece, o número cai para 27%.
A leitura que fazemos desses números é mais simples do que parece, e até mais conhecida. A adoção já gera retorno real nos dois níveis; a distância entre eles não é desacordo, é o tamanho do resultado que fica na mesa quando os níveis não são coordenados. E essa distância não descreve um limite da tecnologia, e sim um mercado olhando apenas para a tecnologia, quando a adoção acontece nos processos, na cultura e na infraestrutura de cada organização. Ajustar esse olhar, equilibrando contexto, método e tecnologia, é o que atravessa a barreira da adoção.
Adotar IA é um projeto que exige agilidade, mas também é de longo prazo. Pede que se pense não só o próximo passo, mas o que vem depois dele. Antes de se prender a soluções ou licenciamentos de alto orçamento, é preciso testar e conhecer a tecnologia de perto, entendendo como a sua empresa e o seu time conseguem gerar resultado com ela.
Os três níveis
Adotar IA não é só incorporar uma nova tecnologia. É trabalhar com uma tecnologia que permite repensar inúmeros problemas de negócio, novos e antigos. Por isso a adoção não acontece em um lugar só: ela pode ser no indivíduo, no departamento ou na empresa.
Aqui na Taqtile, começamos nossos projetos lendo o cenário de cada empresa e interpretando seus desafios a partir desses três níveis de adoção:
- Nível 1, o indivíduo. Capacitar pessoas a usar bem as ferramentas de IA a que já têm acesso. Muitas vezes a licença é comprada e as ferramentas são criadas; o que falta, contudo, é o método para estruturar agentes, delegar o que é repetitivo e manter revisões com critério.
- Nível 2, o departamento. Transformar com IA os processos de um time que tomam tempo demais, dependem de retrabalho ou poderiam render mais. Um gargalo por vez: o processo passa a ser mapeado, automatizado em parte e medido, e o time ganha espaço para o que só ele faz.
- Nível 3, a empresa. Redesenhar processos de ponta a ponta em torno do que a tecnologia tornou possível: jornadas em que a IA conduz etapas inteiras, produtos e serviços que não existiam e novas fontes de receita para a companhia.
Esses níveis não falam apenas de adoção; falam também de entrega de resultado. E é aqui que mora boa parte dos desafios: as iniciativas que falham não tropeçam na tecnologia, tropeçam no desenho, quando o resultado esperado e o processo de adoção escolhido não conversam entre si.
A porta de entrada certa depende do momento e dos desafios da sua empresa. Por isso, é fundamental definir antes onde o resultado será medido: nos colaboradores capacitados, na eficiência do processo escolhido ou na receita nova que uma solução com IA abre?
Colocando em prática: se a demanda interna é por novas formas de gerar receita com IA, faz sentido começar prototipando, mostrando ao negócio o potencial de uma nova solução. Nesse caso, a porta de entrada é o nível 3 e, se ainda não há pessoas capacitadas dentro de casa, é o momento de trazer um parceiro que já construa com a tecnologia. Agora, se o que você quer é autonomia no desenvolvimento, o caminho é capacitar os times primeiro, para depois cobrar novas receitas.
Existem várias formas de começar. Nos nossos projetos, muitas vezes começamos pela prototipação, em que a capacitação em IA acompanha a criação de uma solução de negócio, em vez de vir antes dela. Foi assim com o agente que hoje conduz a venda de carros por assinatura de uma das líderes em mobilidade no Brasil: o time do cliente corrigiu o agente enquanto ele era construído.
Ou seja, acelerar a adoção de IA não significa capacitar todo mundo primeiro, depois desenhar processos, para só então propor novos usos. Uma das características mais valiosas dessa tecnologia é permitir pensar e fazer rápido: um protótipo focado prova valor em semanas e cresce a partir do resultado. É uma lógica que defendemos nos nossos projetos: comece menor do que parece confortável, prove valor, expanda.
E se o desafio da sua empresa for outro, a combinação inverte. Uma companhia sem urgência de receita, mas com apetite por cultura de inovação, pode entrar transformando um processo de departamento e educando o time no caminho, para que as próximas implementações nasçam de dentro. A variedade de combinações é grande, e é ela que permite localizar a sua empresa nesse mapa em vez de copiar o caminho alheio.
O erro silencioso
O erro que mais vemos não está em escolher a porta errada. Está em entrar por uma porta sem coordenar com as outras duas. Na adoção de IA, uma escolha isolada, por mais incrível que seja, não se sustenta quando as demais partes ficam de fora: licenciar ferramentas, criar soluções ou contratar capacitação precisa vir acompanhado de um desenho que amarre pessoas, processos e resultado.
Os sinais são conhecidos. A solução tecnicamente impecável, construída sem educar quem vai operá-la, vira prateleira em poucos meses. O processo redesenhado sem levar o time junto volta ao desenho antigo na primeira pressão de prazo. A capacitação ampla, lançada enquanto a diretoria ainda duvida do investimento, gasta o capital político da iniciativa sem produzir a prova de que ela precisava. Em todos os casos, a tecnologia andou e o contexto ficou para trás.
A combinação que sustenta uma transformação tem duas pontas amarradas: o que a empresa precisa neste momento, e as pessoas que precisam chegar lá junto.
Contexto antes de tecnologia
Por isso, o momento a que damos mais atenção em qualquer conversa não é a demonstração da ferramenta: é o desenho da proposta. Velocidade, tamanho e profundidade variam de empresa para empresa, e uma proposta que ignora isso já nasce genérica. Há contextos que pedem um protótipo em semanas para destravar uma decisão, e outros que pedem um programa mais longo, em que educar o time importa mais do que a primeira entrega. Ler isso antes de propor é o que transforma os três níveis em caminho, e não em cardápio.
O estudo do MIT sobre GenAI nas empresas traz um dado que ajuda a dimensionar isso: projetos executados com parceiros externos têm duas vezes mais chances de sucesso e chegam à produção três vezes mais rápido. Somos suspeitos para falar, sabemos. Mas a razão do número nos interessa mais do que o número: o ganho não vem de um único movimento. Parceiros que se adaptam à frente certa, hoje capacitando um time, amanhã prototipando um agente, depois integrando ao fluxo, são os que aparecem nesse 2x de sucesso e 3x de velocidade.
Por onde a sua empresa entra?
Se a sua empresa está nessa conversa, a pergunta que vale não é "qual ferramenta adotar?", nem "por onde todo mundo está começando?". É outra: o que eu preciso provar agora sobre a tecnologia (potencial, aplicabilidade, receita, eficiência, capacidade de inovação), e como posso prototipar essa prova da forma mais rápida?
A resposta localiza a sua porta de entrada.
Se quiser testar essa pergunta no seu contexto, abra uma conversa com a gente, e vamos descobrir juntos onde está o seu desafio.
